abraço quem não tenho, desejo quem finge querer-me - o que sou eu se não a tua fonte de compaixão? rasto de insanidade que te persegue, incessante?
10 outubro, 2008
abraço quem não tenho, desejo quem finge querer-me - o que sou eu se não a tua fonte de compaixão? rasto de insanidade que te persegue, incessante?
08 outubro, 2008
oh meu amor, nunca é tarde demais para matares o que tens vindo a deixar morrer. a paixão que não esqueci não acaba com as ilusões que alimento, ilusões presas a sítios e lugares e dias sem conta certa.
deste algum senso ao que outrora cri ser amor, mas agora mata! não deixes morrer!
04 outubro, 2008
porque não foi à toa que disse amar-te.
eu cria piamente em ti, qual personificação da verdade, e tu que fizeste? gozaste-me como um vício de final de dia. tu meu pedaço de ternura a crédito, jamais farás ideia do quão imensas são as coisas que por ti não fiz. porque não quiseste.
e agora, navegando por este sem fim de vontades que me cremam, beijo gentes que emergem nas saudades de um amor que não mataram. o cheiro dos lençóis em que pousaram mil corpos de mil amantes, jamais igualar-se-á ao teu odor de revolução. as vidas desprendidas que, de um acaso, se prenderam uma à outra para não mais verem morrer o final. a psicose e os traumas que deitaram abaixo cada sorriso não são mais que detalhes banais quando chega o ardor de um suspiro soprado ao ouvido no abraço mais quente.
quiçá se tudo não passou de mero encadeamento psicológico? que por mais reais que ousem parecer as marcas dos teus dentes na minha pele, a verdade for esta? um fracasso tremendo numa realidade imaginária. já bebemos e fumámos demasiado hoje, meu bem – vamos para a cama, antes que comecemos a chorar da bebedeira que nos aquece e a respirar o fumo que nos acalma por mil noites.
27 setembro, 2008
será que não consigo ver o que se passou aqui? até quando continuarei com os olhos vendados à espera do desefecho deste impasse? encontrarei alguém que me salve de mim? ou conseguirei salvar-me de mim sem ninguém? terei que repetir os mesmos vocábulos mudos por mil vezes mais para me ouvires? ou continuarás surdo de mais para os sentires?
interrompeste a minha vida, mas nunca te darei o prazer de seres o interruptor, nem que para isso continue às escuras por mais mil dias.
23 setembro, 2008
-o quê?
-as nossas vidas.
-quando pararam?
-quando me despiste.
-tu sempre estiveste nua.
-mas agora quero apanhar a roupa que deixei espalhada pelo quarto. vamos parar este espectáculo de suor e lágrimas em que nos enclausurámos este tempo todo...e quanto tempo foi! tenho saudades das ruas daquela cidade que nos abrigavam entre risos e abraços. vamos apanhar outro combóio, está tudo visto nesta estação!
-então e os bilhetes? eram até ao fim da viagem...
-deixemo-la a meio, para onde queres ir doçura?
-estás a ver esta linha recta? ouvi dizer que lá ao fundo, por detrás daquela chaminé, tem umas quantas curvas.
-vamos até lá então, depois logo se verá.
17 setembro, 2008
vem descalçar-me os sapatos e tirar-me a maquilhagem.
despe-me a roupa pesada, veste-me a alma com seda.
enche a banheira com água e sais, mima-me com uvas na boca enquanto, deitada na espuma de olhos fechados, juro não pensar em nada.
quero sentir que me amas acima de um orgasmo. quero que esqueças a língua e me beijes os lábios.
só não quero este cansaço. esta angústia que padece a cada fonema que atiro para os ouvidos do que afinal é só um telefone. já dispensamos despedidas, vivemos nas saudades.
foi a ausência penosa de uns braços que me envolvessem, as noites em claro no escuro de um quarto que não reconhecia, foi a rotina, a impaciência, o vício, os desgostos, os pesadelos, foi tudo que me deixou cansada, irreconhecível ao espelho do meu quarto (re)conhecido. não restou nada da moral, sou uma descomungada aos olhos da igreja, uma lunática aos olhos do mundo.
a teus olhos?- sou o que sempre fui e o que nunca soube ser com ninguém mais.
não sei que fazer com este maldito cansaço! se hei-de enfiá-lo num caixote e enviá-lo por correio azul para a jamaica ou se hei-de continuar assim, a tentar enganar a exaustão com banhos de espuma e chás a escaldar.
15 setembro, 2008
12 setembro, 2008
engano-me a mim, sobretudo a ti, acima de tudo a nós, engano a vida, mais do que devia
09 setembro, 2008
pequenino...
de repente os teus olhos abrem-se...tens um brilho ofuscante dentro de ti que até hoje não se apagou.
parabéns david, parabéns!
05 setembro, 2008
?
tu! oh vertigem abominável de prazer masoquista, quem és tu para além de um pronome pessoal que me faz renegar qualquer outro?
onde te meteste tu meu pedaço de sonho desfeito em mil porquês?
deixaste a tua marca a picotado entre as minhas coxas nuas e desapareceste entre os lençóis manchados de sangue e remorsos.
tu que me sussuravas ao ouvido gritos de artista.
tu que me penetraste a alma e o corpo e deixaste como que um rasto de loucura na minha insâne vontade.
tu que me impediste de voltar a abrir a chaga que por alguma razão se fechou.
tu que de entre tantas histórias de encantar lias-me aquela em que o vurmo da maldade impedia o feliz para sempre dos bons corações.
tu, eterno culpado do meu crime, quem és afinal?
31 agosto, 2008
18 agosto, 2008
a tua escrava.
jamais passará por esse teu conjunto bem articulado de aurículas e ventrículos que por dentrás dos meus seios que te congelam o sexo se encontra um coração.
um coração igual ao de todas as outras.
sei que não o sabes.
sei que tu nem sabes se queres saber que quando me atiras à parede eu tenho uma coluna vertebral a defender.
que tenho glândulas lacrimais que tu fazes questão em bloquear para não mais me sentires humana.
em tempo algum te confessarei que o sangue me corre nas veias, quente, como o de qualquer mamífero e que, assim sendo, to poderia dar a beber, aquecendo-te a alma e o espírito.
levas-me a crer que sou uma escrava da tua compaixão e eu levo-te a crer que eu creio sê-lo.
17 agosto, 2008
09 agosto, 2008
figura sem estilo.
és o eufemismo da castidade que por ti abrigo.
a enumeração dos meus devaneios.
tu és a anáfora que inicia cada verso da minha lírica
frase da minha prosa.
estória da minha odisseia.
a hipérbole da dor desta ferida que não se sente.
és a antítese de cada um dos meus actos.
a aliteração em teu nome que se me escapa da boca.
as metáforas com que enalteço o dialecto que para ti criei.