devias saber como eu odeio estes assaltos a coração desarmado. tu eras só mais um corpo, um rosto e um tão-pobre-de-amor a quem eu saciei o prazer e matei a sede de beijos, numa ânsia infinita de compensar o que outrora alguém se esqueceu de te dar. dei por mim a escrever o teu nome em mil versos, a desejar que o futuro não existisse permitindo que este presente não fosse tão efémero como esta paixão que a ti me prende.
não fosses tu um bicho de carne e osso e eu, eu jurar-te-ia a monogamia.
07 dezembro, 2008
04 dezembro, 2008
o teu vestido amarelo tem um buraco mesmo no lugar do teu umbigo. gosto quando o trazes porque também gosto de espreitar muito descaradamente para dentro dele.
às vezes, olho mais atentamente e consigo ver-te por dentro. chego a espreitar o teu estômago e todos os ácidos que nele operam.
um dia destes chego ao teu coração e decoro cada válvula que bombeia o teu sangue.
sou tão somente uma voyer.
22 novembro, 2008
hoje foi horrível voltar à normalidade. deixar tudo impecável, como se nada tivesse acontecido aqui. limpar a roupa espalhada pelo chão e abafar o teu perfume tapando os lençóis com a colcha.
num momento de desvario, quando estavas de ventre para cima deitado na minha cama, pensei em arrancar-te o coração. deixei os pensamentos correr mais depressa que o sangue nas minhas veias e, quando dei por mim, estava deitada no teu peito a ouvir aquilo que queria arrancar.
no fim de tudo, só queria que sentisses a minha dor, a dor de nunca te conseguir amar em pleno.
15 novembro, 2008
nós morremos meu amor e hoje foi o nosso funeral.
sabes quem esteve presente?
todos aqueles que nos invejaram a vida, os que nos invejam a morte e as flores amarelas na campa.
não sei o que foi feito dos outros. os que nos amaram incondicionalmente, os que davam o corpo e a alma por nós, não sei deles.
se calhar já morreram e nós, na nossa ânsia de comemorar a vida, nem nos lembrámos de comungar a morte dos nossos amigos.
o cálice que agora bebemos é o sangue de todos aqueles que para nós viveram, e as lágrimas dos outros que ficaram em suas casas no dia do nosso enterro.
dentro do nosso copo, meu amor, não está ninguém presente hoje, neste cemitério, no dia do nosso funeral.
sabes quem esteve presente?
todos aqueles que nos invejaram a vida, os que nos invejam a morte e as flores amarelas na campa.
não sei o que foi feito dos outros. os que nos amaram incondicionalmente, os que davam o corpo e a alma por nós, não sei deles.
se calhar já morreram e nós, na nossa ânsia de comemorar a vida, nem nos lembrámos de comungar a morte dos nossos amigos.
o cálice que agora bebemos é o sangue de todos aqueles que para nós viveram, e as lágrimas dos outros que ficaram em suas casas no dia do nosso enterro.
dentro do nosso copo, meu amor, não está ninguém presente hoje, neste cemitério, no dia do nosso funeral.
09 novembro, 2008
é esta dor ordinária que vai alimentando os meus dias, qual veneno camuflado.
estou rodeada de bestas que fingem amar, vermes que me fazem sentir nojo de cada sorriso que, para eles, os meus lábios esboçaram.
tu que dizes chorar a morte, és o primeiro a fazer rebentar a bomba que acaba com mil vidas.
tu que falas de amor e incutes ódio.
tu, estúpida antítese que não me digno compreender, porque te orgulhas dessa cegueira crónica?
somente
enxergas as minhas feridas quando o sangue te suja as camisas
ouves os meus gritos agudos quando interferem com a melodia suave que é a tua vida
cheiras o odor a morte quando jaz no chão tudo e todos que estão à tua volta.
só sentes o meu beijo quando a garrafa está vazia.
és tão horrível quando estás sóbrio.
estou rodeada de bestas que fingem amar, vermes que me fazem sentir nojo de cada sorriso que, para eles, os meus lábios esboçaram.
tu que dizes chorar a morte, és o primeiro a fazer rebentar a bomba que acaba com mil vidas.
tu que falas de amor e incutes ódio.
tu, estúpida antítese que não me digno compreender, porque te orgulhas dessa cegueira crónica?
somente
enxergas as minhas feridas quando o sangue te suja as camisas
ouves os meus gritos agudos quando interferem com a melodia suave que é a tua vida
cheiras o odor a morte quando jaz no chão tudo e todos que estão à tua volta.
só sentes o meu beijo quando a garrafa está vazia.
és tão horrível quando estás sóbrio.
03 novembro, 2008
alucinações, vertigens, pânico!
agarro com força a cortina da banheira, estou a sufocar! a espuma mistura-se com o sangue que cuspo, com as vozes de todos os vermes que me esquartejam aos poucos! o que é que se passa aqui, afinal? o grito fica entalado entre as minhas cordas vocais e o ar preso nas minhas fossas nasais. quero respirar! mil tentativas faço, mil tentativas falhadas.
estou morta na minha banheira e a água está morna.
agarro com força a cortina da banheira, estou a sufocar! a espuma mistura-se com o sangue que cuspo, com as vozes de todos os vermes que me esquartejam aos poucos! o que é que se passa aqui, afinal? o grito fica entalado entre as minhas cordas vocais e o ar preso nas minhas fossas nasais. quero respirar! mil tentativas faço, mil tentativas falhadas.
estou morta na minha banheira e a água está morna.
28 outubro, 2008
26 outubro, 2008
hoje ouvi o grito vindo de todos os esgotos.
ouvi o fado mais triste e uma conversa entre fantasmas.
ouvi o medo de todos os amantes e ouvi a sina dos poetas.
hoje ouvi a pornografia dos homens castros e as fantasias da menina exemplar.
ainda ouço o murmúrio das preçes de todos os angustiados e as frases corajosas dos heróis ultrapassados.
hoje ouvi o que as paredes ouvem e o que o olhar não diz.
ouço os gemidos, os beijos e o orgasmo de todos os namorados.
ouço todas as frequências de rádio e o telefone a tocar.
hoje ouvi um bêbedo e uma costureira a fazerem amor.
agora estou a tentar ouvir o silêncio e ninguém faz o favor de se calar!
ouvi o fado mais triste e uma conversa entre fantasmas.
ouvi o medo de todos os amantes e ouvi a sina dos poetas.
hoje ouvi a pornografia dos homens castros e as fantasias da menina exemplar.
ainda ouço o murmúrio das preçes de todos os angustiados e as frases corajosas dos heróis ultrapassados.
hoje ouvi o que as paredes ouvem e o que o olhar não diz.
ouço os gemidos, os beijos e o orgasmo de todos os namorados.
ouço todas as frequências de rádio e o telefone a tocar.
hoje ouvi um bêbedo e uma costureira a fazerem amor.
agora estou a tentar ouvir o silêncio e ninguém faz o favor de se calar!
20 outubro, 2008
às vezes desligam-me sem eu querer.
às vezes eu quero desligar, mas não consigo.
ide-vos todos, oh falhas perfeitas da sociedade, deixai-me no meu éden imaginário do qual não fazeis parte! nem vós, inegualáveis seres, nem vós sois capaz de calar a minha loucura! meros pedaços de carne enfeitada entranhada de merda, podres vidas de doentia ignorância.
quereis sentir a raiva das teclas do meu piano? ou preferis ouvir os versos sujos que declamo em vosso nome?
todas as ilusões sumiram-se, os medicamentos fizeram efeito.
às vezes eu quero desligar, mas não consigo.
ide-vos todos, oh falhas perfeitas da sociedade, deixai-me no meu éden imaginário do qual não fazeis parte! nem vós, inegualáveis seres, nem vós sois capaz de calar a minha loucura! meros pedaços de carne enfeitada entranhada de merda, podres vidas de doentia ignorância.
quereis sentir a raiva das teclas do meu piano? ou preferis ouvir os versos sujos que declamo em vosso nome?
todas as ilusões sumiram-se, os medicamentos fizeram efeito.
18 outubro, 2008
amanhã não existe.
hoje sou tua, da maneira mais inocente do mundo.
hoje a minha meta não é o orgasmo nem tão pouco o maior arrepio na espinha, hoje as horas vão abraçar-se e a noite vai durar para sempre.
porque hoje, enquanto a humanidade morre, nós estaremos a fazer amor como se amanhã fosse outro dia.
hoje a minha meta não é o orgasmo nem tão pouco o maior arrepio na espinha, hoje as horas vão abraçar-se e a noite vai durar para sempre.
porque hoje, enquanto a humanidade morre, nós estaremos a fazer amor como se amanhã fosse outro dia.
não, nunca lhe contarei aquela noite. jamais saberá o quão bonita estava, deitada na calçada, com um copo de champagne entornado sobre o vestido púrpura. um sorriso brotava dos seus lábios secos, muito roxos do frio.
delicadamente, descalçei-lhe os sapatos muito pretos e muito altos e pu-la em pé. encostei-a ao meu peito e oh! ainda estava quente. dançámos lentamente, descalços, e eu beijei-lhe a face rosada vezes sem conta.
no dia a seguir, foi o seu enterro.
o meu amor por ela tornara-se uma doença crónica.
delicadamente, descalçei-lhe os sapatos muito pretos e muito altos e pu-la em pé. encostei-a ao meu peito e oh! ainda estava quente. dançámos lentamente, descalços, e eu beijei-lhe a face rosada vezes sem conta.
no dia a seguir, foi o seu enterro.
o meu amor por ela tornara-se uma doença crónica.
12 outubro, 2008
perdoa-me, mas estou saturada. foram demasiadas noites à tua espera no sofá da sala, de unhas pintadas e robe vermelho, dois copos de whisky e um maço de marbolo lights por cima da cabeçeira. quiçá em vão cada hora, madrugada a dentro, à escuta do som da chave na fechadura do meu apartamento.
mas agora estou a envelhecer, meu amor, a vida já não me permite que goze as minhas madrugadas numa odisseia de lágrimas. as minhas costas estão de ressaca e os lençóis nos quais tinhas entornado uma chávena de café foram para lavar.
quando voltares, ao bom estilo de nómada-revolucionário, já terei comprados outros, mais brancos que estes e com uma renda azul.
no entretanto, o sebastião morreu. passou os seus últimos dias a encher-me a casa de pêlo e a deixar o odor inconfundível de chichi de gato na carpete do escritório. chorei muito, mais por mim do que por ele, e agora tenho que aquecer um saco de água quente antes de me ir deitar.
há meses que não me respondes às infinitas mensagens que te deixo no telemóvel. pode ser que um dia destes me batas à porta, porque já perdeste a chave até lá, e eu me esqueça das mil noites em que fumei o maço inteiro e bebi o gelo do whisky que não deitei no copo.
mas agora estou a envelhecer, meu amor, a vida já não me permite que goze as minhas madrugadas numa odisseia de lágrimas. as minhas costas estão de ressaca e os lençóis nos quais tinhas entornado uma chávena de café foram para lavar.
quando voltares, ao bom estilo de nómada-revolucionário, já terei comprados outros, mais brancos que estes e com uma renda azul.
no entretanto, o sebastião morreu. passou os seus últimos dias a encher-me a casa de pêlo e a deixar o odor inconfundível de chichi de gato na carpete do escritório. chorei muito, mais por mim do que por ele, e agora tenho que aquecer um saco de água quente antes de me ir deitar.
há meses que não me respondes às infinitas mensagens que te deixo no telemóvel. pode ser que um dia destes me batas à porta, porque já perdeste a chave até lá, e eu me esqueça das mil noites em que fumei o maço inteiro e bebi o gelo do whisky que não deitei no copo.
11 outubro, 2008
10 outubro, 2008
tu que me vendaste os olhos por mil dias, tu que me tomaste como um qualquer pertence teu, tu! tomara poder perpetuar cada pedaço de nós por aí espalhado, o grito que me estrangulava a garganta de tão agudo que era, tomara poder tornar eterno o sorriso que por amor à posse brotou dos teus lábios.
abraço quem não tenho, desejo quem finge querer-me - o que sou eu se não a tua fonte de compaixão? rasto de insanidade que te persegue, incessante?
abraço quem não tenho, desejo quem finge querer-me - o que sou eu se não a tua fonte de compaixão? rasto de insanidade que te persegue, incessante?
e jaz no chão o corpo do rapaz feliz.
pára de ter piedade!
08 outubro, 2008
sou a criatura que te amarra à vida e à cama. a torneira de água estagnada que te provoca o vómito e a sede. sou as ruínas da tua memória que não matas com medo de ficares arruinado.
oh meu amor, nunca é tarde demais para matares o que tens vindo a deixar morrer. a paixão que não esqueci não acaba com as ilusões que alimento, ilusões presas a sítios e lugares e dias sem conta certa.
deste algum senso ao que outrora cri ser amor, mas agora mata! não deixes morrer!
oh meu amor, nunca é tarde demais para matares o que tens vindo a deixar morrer. a paixão que não esqueci não acaba com as ilusões que alimento, ilusões presas a sítios e lugares e dias sem conta certa.
deste algum senso ao que outrora cri ser amor, mas agora mata! não deixes morrer!
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