de ti só sei uma coisa, tu gostas de mim. de grosso modo e sem hesitação afirmo que me amas. ignoro quem sejas, quem queres ser, no fundo és só mais uma alma dentro de um corpo demasiado pequeno para nela encaixar tal sentimento.
eu não te conheço, imaginei-te budista, sim, budista parece ser uma boa opção, és budista e procuras o poço sem fundo onde se encontram as respostas às perguntas que nunca fizeste. ontem disseste-me que eu era o teu nirvana - ri-me. ri-me não por seu a primeira vez que prentendias fazer subir o meu ego nem pelo modo desajeitado e ensaiado com que me deste um beijo na testa, ri-me porque tu és ridículo e porque o amor é ridículo.
sabes, a única coisa que eu quero é comer-te as mãos.
06 janeiro, 2009
31 dezembro, 2008
defendemos o despudor do corpo, a afirmação da merda, do fedor da transpiração e da viscosidade dos flúidos, defendemos o que ninguém ousa desenvergonhar.
quereis prender-vos ao realismo do século e calar a arte pela arte? pois muito bem, libertai os vossos corpos! falai abertamente do descarregar diário dos intestinos na retrete! suportai sem escândalo ou risota os sons emitidos pela fonte sonora implantada em cada um de vós! não rapeis os pêlos que vos crescem nas pernas, nos sovacos, no sexo e no rosto só porque alguém disse que assim é que tem de ser!
gritai de prazer, de ódio e de inveja.
sêde vós mesmos sem o pânico do realismo disfarçadamente irrealista do ser.
quereis prender-vos ao realismo do século e calar a arte pela arte? pois muito bem, libertai os vossos corpos! falai abertamente do descarregar diário dos intestinos na retrete! suportai sem escândalo ou risota os sons emitidos pela fonte sonora implantada em cada um de vós! não rapeis os pêlos que vos crescem nas pernas, nos sovacos, no sexo e no rosto só porque alguém disse que assim é que tem de ser!
gritai de prazer, de ódio e de inveja.
sêde vós mesmos sem o pânico do realismo disfarçadamente irrealista do ser.
21 dezembro, 2008
o tempo é uma ilusão e nós os ilusionistas, por isso vamos iludir-nos da nossa eternidade. afinal, temos todo o tempo do mundo.
deixa-me amaldiçoar para sempre o amante que tornou o teu corpo impuro. eu quero esculpir o pedaço perfeito de ti que essa reles criatura roubou!
quero violar mil telas e nelas imortalizar os teus seios e o teu ventre. desejo compor a melodia da tua voz e a coreografia das tuas mãos. quero mil negativos dos teus olhos e o odor do teu cabelo feito perfume.
não nos matemos já, temos tanto a dever à arte meu amor.
deixa-me amaldiçoar para sempre o amante que tornou o teu corpo impuro. eu quero esculpir o pedaço perfeito de ti que essa reles criatura roubou!
quero violar mil telas e nelas imortalizar os teus seios e o teu ventre. desejo compor a melodia da tua voz e a coreografia das tuas mãos. quero mil negativos dos teus olhos e o odor do teu cabelo feito perfume.
não nos matemos já, temos tanto a dever à arte meu amor.
15 dezembro, 2008
13 dezembro, 2008
cala-te, porque só calado é que tu não me puxas o vómito.
cala-te, porque é essa a condição que te imponho para de mim gozares o que te apetecer.
cala-te, cala-te, cala-te! não ouses voltar a repetir esses vocábulos de afrodite que me atormentam todas noites que contigo me deito!
não chores porque eu não suporto o ruído das tuas lágrimas nem o murmúrio dos teus credos. não me contes nada de ti, não me faças ter pena nem orgulho do monstro ou da personificação de amor que alimento.
não me jures, não me cantes e não declames. não sejas tu.
07 dezembro, 2008
devias saber como eu odeio estes assaltos a coração desarmado. tu eras só mais um corpo, um rosto e um tão-pobre-de-amor a quem eu saciei o prazer e matei a sede de beijos, numa ânsia infinita de compensar o que outrora alguém se esqueceu de te dar. dei por mim a escrever o teu nome em mil versos, a desejar que o futuro não existisse permitindo que este presente não fosse tão efémero como esta paixão que a ti me prende.
não fosses tu um bicho de carne e osso e eu, eu jurar-te-ia a monogamia.
não fosses tu um bicho de carne e osso e eu, eu jurar-te-ia a monogamia.
04 dezembro, 2008
o teu vestido amarelo tem um buraco mesmo no lugar do teu umbigo. gosto quando o trazes porque também gosto de espreitar muito descaradamente para dentro dele.
às vezes, olho mais atentamente e consigo ver-te por dentro. chego a espreitar o teu estômago e todos os ácidos que nele operam.
um dia destes chego ao teu coração e decoro cada válvula que bombeia o teu sangue.
sou tão somente uma voyer.
22 novembro, 2008
hoje foi horrível voltar à normalidade. deixar tudo impecável, como se nada tivesse acontecido aqui. limpar a roupa espalhada pelo chão e abafar o teu perfume tapando os lençóis com a colcha.
num momento de desvario, quando estavas de ventre para cima deitado na minha cama, pensei em arrancar-te o coração. deixei os pensamentos correr mais depressa que o sangue nas minhas veias e, quando dei por mim, estava deitada no teu peito a ouvir aquilo que queria arrancar.
no fim de tudo, só queria que sentisses a minha dor, a dor de nunca te conseguir amar em pleno.
15 novembro, 2008
nós morremos meu amor e hoje foi o nosso funeral.
sabes quem esteve presente?
todos aqueles que nos invejaram a vida, os que nos invejam a morte e as flores amarelas na campa.
não sei o que foi feito dos outros. os que nos amaram incondicionalmente, os que davam o corpo e a alma por nós, não sei deles.
se calhar já morreram e nós, na nossa ânsia de comemorar a vida, nem nos lembrámos de comungar a morte dos nossos amigos.
o cálice que agora bebemos é o sangue de todos aqueles que para nós viveram, e as lágrimas dos outros que ficaram em suas casas no dia do nosso enterro.
dentro do nosso copo, meu amor, não está ninguém presente hoje, neste cemitério, no dia do nosso funeral.
sabes quem esteve presente?
todos aqueles que nos invejaram a vida, os que nos invejam a morte e as flores amarelas na campa.
não sei o que foi feito dos outros. os que nos amaram incondicionalmente, os que davam o corpo e a alma por nós, não sei deles.
se calhar já morreram e nós, na nossa ânsia de comemorar a vida, nem nos lembrámos de comungar a morte dos nossos amigos.
o cálice que agora bebemos é o sangue de todos aqueles que para nós viveram, e as lágrimas dos outros que ficaram em suas casas no dia do nosso enterro.
dentro do nosso copo, meu amor, não está ninguém presente hoje, neste cemitério, no dia do nosso funeral.
09 novembro, 2008
é esta dor ordinária que vai alimentando os meus dias, qual veneno camuflado.
estou rodeada de bestas que fingem amar, vermes que me fazem sentir nojo de cada sorriso que, para eles, os meus lábios esboçaram.
tu que dizes chorar a morte, és o primeiro a fazer rebentar a bomba que acaba com mil vidas.
tu que falas de amor e incutes ódio.
tu, estúpida antítese que não me digno compreender, porque te orgulhas dessa cegueira crónica?
somente
enxergas as minhas feridas quando o sangue te suja as camisas
ouves os meus gritos agudos quando interferem com a melodia suave que é a tua vida
cheiras o odor a morte quando jaz no chão tudo e todos que estão à tua volta.
só sentes o meu beijo quando a garrafa está vazia.
és tão horrível quando estás sóbrio.
estou rodeada de bestas que fingem amar, vermes que me fazem sentir nojo de cada sorriso que, para eles, os meus lábios esboçaram.
tu que dizes chorar a morte, és o primeiro a fazer rebentar a bomba que acaba com mil vidas.
tu que falas de amor e incutes ódio.
tu, estúpida antítese que não me digno compreender, porque te orgulhas dessa cegueira crónica?
somente
enxergas as minhas feridas quando o sangue te suja as camisas
ouves os meus gritos agudos quando interferem com a melodia suave que é a tua vida
cheiras o odor a morte quando jaz no chão tudo e todos que estão à tua volta.
só sentes o meu beijo quando a garrafa está vazia.
és tão horrível quando estás sóbrio.
03 novembro, 2008
alucinações, vertigens, pânico!
agarro com força a cortina da banheira, estou a sufocar! a espuma mistura-se com o sangue que cuspo, com as vozes de todos os vermes que me esquartejam aos poucos! o que é que se passa aqui, afinal? o grito fica entalado entre as minhas cordas vocais e o ar preso nas minhas fossas nasais. quero respirar! mil tentativas faço, mil tentativas falhadas.
estou morta na minha banheira e a água está morna.
agarro com força a cortina da banheira, estou a sufocar! a espuma mistura-se com o sangue que cuspo, com as vozes de todos os vermes que me esquartejam aos poucos! o que é que se passa aqui, afinal? o grito fica entalado entre as minhas cordas vocais e o ar preso nas minhas fossas nasais. quero respirar! mil tentativas faço, mil tentativas falhadas.
estou morta na minha banheira e a água está morna.
28 outubro, 2008
26 outubro, 2008
hoje ouvi o grito vindo de todos os esgotos.
ouvi o fado mais triste e uma conversa entre fantasmas.
ouvi o medo de todos os amantes e ouvi a sina dos poetas.
hoje ouvi a pornografia dos homens castros e as fantasias da menina exemplar.
ainda ouço o murmúrio das preçes de todos os angustiados e as frases corajosas dos heróis ultrapassados.
hoje ouvi o que as paredes ouvem e o que o olhar não diz.
ouço os gemidos, os beijos e o orgasmo de todos os namorados.
ouço todas as frequências de rádio e o telefone a tocar.
hoje ouvi um bêbedo e uma costureira a fazerem amor.
agora estou a tentar ouvir o silêncio e ninguém faz o favor de se calar!
ouvi o fado mais triste e uma conversa entre fantasmas.
ouvi o medo de todos os amantes e ouvi a sina dos poetas.
hoje ouvi a pornografia dos homens castros e as fantasias da menina exemplar.
ainda ouço o murmúrio das preçes de todos os angustiados e as frases corajosas dos heróis ultrapassados.
hoje ouvi o que as paredes ouvem e o que o olhar não diz.
ouço os gemidos, os beijos e o orgasmo de todos os namorados.
ouço todas as frequências de rádio e o telefone a tocar.
hoje ouvi um bêbedo e uma costureira a fazerem amor.
agora estou a tentar ouvir o silêncio e ninguém faz o favor de se calar!
20 outubro, 2008
às vezes desligam-me sem eu querer.
às vezes eu quero desligar, mas não consigo.
ide-vos todos, oh falhas perfeitas da sociedade, deixai-me no meu éden imaginário do qual não fazeis parte! nem vós, inegualáveis seres, nem vós sois capaz de calar a minha loucura! meros pedaços de carne enfeitada entranhada de merda, podres vidas de doentia ignorância.
quereis sentir a raiva das teclas do meu piano? ou preferis ouvir os versos sujos que declamo em vosso nome?
todas as ilusões sumiram-se, os medicamentos fizeram efeito.
às vezes eu quero desligar, mas não consigo.
ide-vos todos, oh falhas perfeitas da sociedade, deixai-me no meu éden imaginário do qual não fazeis parte! nem vós, inegualáveis seres, nem vós sois capaz de calar a minha loucura! meros pedaços de carne enfeitada entranhada de merda, podres vidas de doentia ignorância.
quereis sentir a raiva das teclas do meu piano? ou preferis ouvir os versos sujos que declamo em vosso nome?
todas as ilusões sumiram-se, os medicamentos fizeram efeito.
18 outubro, 2008
amanhã não existe.
hoje sou tua, da maneira mais inocente do mundo.
hoje a minha meta não é o orgasmo nem tão pouco o maior arrepio na espinha, hoje as horas vão abraçar-se e a noite vai durar para sempre.
porque hoje, enquanto a humanidade morre, nós estaremos a fazer amor como se amanhã fosse outro dia.
hoje a minha meta não é o orgasmo nem tão pouco o maior arrepio na espinha, hoje as horas vão abraçar-se e a noite vai durar para sempre.
porque hoje, enquanto a humanidade morre, nós estaremos a fazer amor como se amanhã fosse outro dia.
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