tenho tuberculose.
cuspo sangue da boca e com ele cuspo também tragédias clássicas a quantos males me assombram. sim, porque desengane-se quem pensa que a tuberculose é só sangue a jorrar para os lençóis lavados e por tudo mais quanto seja sítio. num dia gastam-se os anos que me foram prometidos viver à nascença e permaneço febril, venham mil panos de água do ártico que nada me baixará esta febre crónica. o amor sai-me pelos poros com a transpiração que vai encharcando o meu corpo num odor insuportável. nas minhas pernas nasceram pequenas crateras em constante actividade, expelindo aos litros de fel e amargura. as minhas unhas encravam-se na minha carne já velha, e a epiderme vai-me caindo aos poucos.
descubro que também tenho lepra.