12 janeiro, 2012
Relembrar que (...)
04 janeiro, 2012
Quando se vende a alma,
02 janeiro, 2012
"Nos meus sonhos, encontro uma felicidade em estado puro"
20 dezembro, 2011
Um cansaço a circular pelos dedos e a acumular-se nas vivências,
10 dezembro, 2011
As ondas não lavaram a minha alma,
Isto é uma continuação disto. Ela nunca abandonou o meu coração e decidi contar um pouco do depois. Nunca ninguém conta essa parte, pois não?
Não me deixaste morrer, meu Deus, quando as ondas me levaram e lavaram os pés (envelhecidos pelo súbito aceleramento dos acontecimentos). As ondas do mar levaram-me para um lugar distante, geograficamente longínquo para não Te encontrar na tua casa, já que a tua duração na condição de humano duraria alguns anos até o contrato elaborado com o Diabo terminar. A minha mente, ao flutuar na água recheada de sal, entregava-se aos desvairos humanos e básicos que consumiam a minha existência, puxavam o instinto de sobrevivência adormecido em qualquer ser humano que cumpra as suas tarefas diariamente, sem qualquer alteração que faça para o Mundo, o seu mundo monótono. A fome consumia os meus pulmões, apunhalava o meu coração e derretia a alma que teimava em permanecer naquele corpo. Um fogo abrasador, electrificado com arrepios brilhantes e tensos pelo meu pescoço, flamejava e destruía a única verdade que existia: o amor, ao relembrar-me das lágrimas do rosto de Deus e o orgulho que lhe acelerava o sangue nas veias à medida que construía o meu corpo, perfeitamente esculpido com dedicação. Um amor por quem passava delicadamente as mãos pelo meu rosto, enquanto o movimento dos pés no chão de madeira ecoava ritmicamente. O som da música de embalar circulava tremendamente, colocando o planeta num sossego fantasmagórico. O amor apaixonado pelo criador da obra-prima, da escultura de anos. As minhas lágrimas misturavam-se com o gelo do mar, que levou-me para longe. Os meus pés estavam lavados, os meus sapatos envernizados perderam-se no fundo do oceano, nas rochas incapazes de saborearem qualquer raio solar. Os cânticos das sereias ouviam-se, na interrogação pelo desconhecido par que naufragava.
Pergunto-me se o amor ainda existe. A minha alma foi lavada de ressentimentos, mágoas, desilusões. Quando é que a força das tuas mãos me vai abandonar? Leva-me contigo, para o teu trono depois das nuvens. Como Zeus, que o Olimpo e todos os deuses que viviam com ele. Como te chamas para além de Deus? Oh, deixa-me morrer então. Oh, deixa. As ondas lavaram-me os pés mas não me lavaram a alma, como seria de esperar.
03 dezembro, 2011
Na sombra do coração,
25 novembro, 2011
Completamente incompleto numa noite normal,
Adormeci no meu quarto, numa noite perfeitamente normal e casual sem qualquer tipo de promessas lançadas para o oxigénio tóxico, característica do ambiente em que caminho e descanso a todas as horas. O amor abandonou-me há algum tempo, sem qualquer intenção de voltar num curto período de tempo para me envolver numa segurança apetecível e deliciosa, acabou por levar as malas com todos os objectos que lhe pertenciam e deixou-me um beijo. Um toque ao de leve nos meus lábios para conseguir o meu espírito conseguir dar a volta por cima, com a intenção de me oferecer um início fora dos meus planos. Veio trazer desorganização ao meu bem-estar, às minhas roupas, ao meu coração e aos meus pulmões, fracos no funcionamento desde a manhã em que regressei ao Mundo. As lágrimas queimaram a pele do meu rosto graças ao suposto sal que contém, passadas centenas de horas decidi chorar para uma garrafa de licor com o intuito de saborear-me quando me sentir sozinho. Naquela noite sem qualquer marcação ou intenção de ocorrer um acontecimento especial, acabei por adormecer em cima dos lençóis brancos e com um cobertor sobre as pernas, os ventos gelados andavam a dar cabo dos meus músculos que se ressentiam cada vez mais do frio nórdico (e psicológico).20 novembro, 2011
Colaborações (durante a tarde),

17 novembro, 2011
O canto às desistências temporárias: o início,

12 novembro, 2011
Os loucos de espírito fazem amor com o próprio corpo,

O vento alcança os meus cabelos, massajando-os e cuspindo neles num rodopio malandro que me leva a ganhar um pouco mais de rugas de expressão. Quando tal fenómeno acontece, o simples plantar das rugas de expressão de indignação ou mesmo de felicidade, cai na minha alma o caminhar do tempo e a falta de vivência que posso estar a ter nos minutos que passaram e que vão passando à medida que penso no assunto. Trata-se de suposições, dúvidas que inflamam as minhas veias à medida que os pensamentos vão inundando a minha mente, a cada minuto e não há forma de carregar no botão de paragem para evitar um acidente de ondas dentro da minha cabeça. O vento vai continuando a massajar os meus cabelos com os lábios suaves, cuidados graças a uma operação violenta à pele (como se qualquer brisa conseguisse ter pele, as minhas divagações vão acabar por matar-me um dia).
Os meus braços encontram-se cansados de ver o mundo na primeira pessoa, de elaborar o meu estilo artístico na individualidade e na visão dos meus olhos castanhos de tons escuros. Nos momentos em que suporto o peso do (meu) mundo não consigo pensar em mais ninguém a não ser em mim, não vejo amor em qualquer segundo ser humano. Demasiado egoísta para usar o acessório de amigo a combinar com as minhas roupas, demasiado egocêntrico para mudar qualquer valor no meu planeta, nunca vou ser capaz de o melhorar. Os desejos percorrem os nervos faciais, irritando a pele morena do meu rosto bronzeado na tarde de domingo (naquele Verão em que trocámos demasiados beijos e juras eternas de amor que nunca vou quebrar), os desejos individuais e desnecessários. Se quero dançar no meio da minha casa coloco um impedimento na minha acção, como se tivesse mil olhos a julgar e a percorrer o meu corpo. E talvez seja essa a minha morte, daqui a alguns anos. Se o suicídio passar pelo meu coração, numa fase aparentemente excêntrica (é este o adjectivo que me faz pensar no quão difícil é conviver comigo mesmo nas tardes em que não existe absolutamente nada para fazer, quero apertar o meu próprio pescoço e fazer amor com o meu corpo, quero um segundo corpo para puder dar asas às minhas obscenidades), se a morte sorrir para a minha existência vou ter os mil olhares na minha mente e o medo vai apoderar-se da minha acção. Segurança, diriam algumas verdadeiras amigas estivessem a ler o que escrevo. Falta segurança nas minhas acções, acusaria uma delas na sua voz suave e melancólica, no mais pequeno pormenor até ao desenrolar da vida. Talvez seja por isso que me custa escrever cada vez mais escrever na primeira pessoa, existe uma insegurança apegada à vulgaridade existente na minha existência. Os meus braços encontram-se cansados de ver o mundo na primeira pessoa mas não querem passar essa tarefa para uma segunda pessoa, que conte a minha história com sentimentos deturpados por uma individualidade completamente diferente da minha. O meu vento alcança os meus cabelos e acaba por ir saboreando o meu corpo, com manias para o envelhecimento a cada dia que passa. O que vou fazer quando a juventude começar a desaparecer do meu corpo? Não quero afundar-me neste medo, meus caros.
Os meus monólogos deliciam-me, apodrecem a minha pureza mas nunca me senti tão bem em toda a minha vida. Nem fazem ideia do quando dava para ter o meu corpo separada da minha alma, neste momento. Existe um desejo obscuro de fazer amor com o meu corpo e chorar à medida que o amar intensamente nesses minutos – vou aproveitá-lo enquanto sou jovem.
E um viva aos loucos de espíritos! O vento continua a massajar os meus cabelos.















