14 abril, 2014

Aos bons amigos



Novos ventos fazem esvoaçar as minha entranhas em pleno Cais do Sodré. Os meus refúgios, a força representada pelas minhas velhas amizades, continuam serenos e recheados de erva, tratada por duas mãos. São as nossas mãos, todas juntas e a tocarem-se em plenas ruas de Lisboa, que revelam os nossos maiores segredos e a cumplicidade que acumulámos durante alguns anos. Os sorrisos não foram libertados em vão, deitados no meio da rua. Neste momento, em que a maioria de nós tenta encontrar um porto seguro num país tão destabilizado e ingrato para os mais jovens, sinto-nos com mais força e prontos a colocar a armadura para enfrentar políticas ameaçadoras.

Ainda não nos falta o pão, estamos assegurados por um ano pelo menos no mesmo lugar na maioria dos casos. Tenho um sorriso plantado nos meus lábios por saber que, se for necessário, vamos dar o pão na boca a um dos nossos. Somos um nosso, plantámos a nossa equação de energia ainda nos corredores daquela faculdade em Coimbra. Cidade que tendo a detestar com todos os meus condões, com todas as minhas vontades mas é a nossa cidade. Foi naquelas ruas, tão negras desde a nossa saída, que trocámos conversas, promessas ingénuas, obscenidades, perversidades e mesmo desejos sexuais, com alguma cerveja ou café a acompanhar se fosse preciso. Livros da faculdade caíam-nos pelo buraco negro das malas. Mal lhe tocávamos se for preciso mas estudávamos uns com os outros, numa camaradagem que aparece agora tatuada nos nossos caminhos.

Novos ventos esvoaçam os meus poucos cabelos castanhos e dão vida às minhas veias. O que seria de mim se estivesse e encontrar a felicidade numa ilha isolada, sem vocês, questiono-me. Existe sempre um hoje para nós, vai estar plantado no futuro próximo já que não conseguimos calendarizar os nossos desejos. Os futuros distantes não existem, as ideias concretas e seguros estão fora do circuito para nós. Mas nós estamos cá, prontos a limpar lágrimas. Sejam de tristeza profunda ou de felicidade pura.

A todos os meus bons amigos. Os que foram e os que continuam ao pé da minha alma.

26 março, 2014

O padrão geométrico de todos os corações


Os teus braços, as minhas mãos, os meus lábios quase carnudos e os teus cabelos castanhos, desgrenhados logo pela manhã, os nossos olhos inchados ao despertar numa mistura incontrolável de cheiros. Nos lençóis da minha cama, com os gatos das vizinhas a miarem e a lutarem à minha janela. São esses alguns dos sons e movimentos que cheiramos pela manhã - nesta confusão de cheiros e sons que sinto de madrugada, ainda o Sol acena por todas as nuvens cinzentas no céu presente no infinito da minha cabeça. Os meus braços a agarrarem os teus ou a minha língua a saborear o teu peito trazem um turbilhão às minhas semanas, é daqueles tornados recheados de carne e sangue num zigue zague tremendo. 

Que costurem aqueles que clamam que as relações não devem ser um padrão geométrico, segmentos alternados. São tantos os seres humanos a falecerem no meio da rua, a esvoaçarem das aves que sentem um prazer, inocente a meu ver, de apararem. Segurar, com os ossos das asas, um corpo quase morto forma uma monotonia. O chá ferve todos os dias por volta das cinco, se saíram cedo do trabalho. O alarme de alguns carros despertam na madrugada, por serem sempre as mesmas mãos a tentarem arrombar. E sabe bem acender as luzes às quatro da manhã para afastar fantasmas ou os corpos que elaboram sempre as mesmas artimanhas. 

Os meus lábios encontram os teus, logo pela manhã, e perpetuam o lugar de paraíso que és. Os meus dentes tocaram na tua carne, numa tendência de canibalismo que nasce em mim todos os dias. A cada dia apaixono-me cada vez mais por ti.

10 março, 2014

Cada olhar ainda é o primeiro



Os dias são cheios de ti, da tua carne, dos teus olhos castanhos e das tuas palavras.
Nunca me viste dançar no meu quarto, na hora em que estou a ouvir os meus discos predilectos, mas um dia vou deixar-te, por ser tão relaxante. Liberto fantasmas e tensões em menos de cinco minutos, depois de um café com algumas das minhas almas gémeas. Ao contrário do que possam dizer, as almas gémeas também se encontram nos amigos. Nos seres que nasceram para abraçarmos, para tocarmos com as nossas mãos e para acolherem as nossas lágrimas. Sei que elas acolhem as minhas frustrações nos grandes baús, colocados na veio mais desprezível do coração.
Continuas a seduzir-me, tantos meses depois. Cada olhar ainda é o primeiro.

06 março, 2014

Ao mergulhares nas minhas águas



Nunca mergulhaste em mim, nas profundezas das minhas águas e nos meus encantos de espuma, superficiais como toda a espuma do mar. O Sol renasceu no horizonte e derrotou todo o frio inquietante, temperaturas de um inverno vestido com um fato de ouro, a iludir todos os crentes e sôfregos por um raio solar. Sentiam-no a brilhar lá ao fundo, em territórios longínquos, no instante em que gelava todos os ossos do corpo. Encanto-me com os teus lábios, perdidos na rouquidão do teu chamamento em dias de nevoeiro, apaixona-me a tua delicadeza em dias de tempestade. Falta-me um casaco até aos pés nesses dias, em que molhas os pés e não consegues entrar nas ondas violentas, recheadas de forças, nascidas no meu interior hercúleo. Injetas-me adrenalina em todos os momentos de discussão e de paixão. Ao passares a língua pelo meu peito, ao saboreares a minha pele e ao gritares para mim, à espera que corrija um defeito humano. Como se os defeitos não fosse humanos, num universo paralelo. Constróis uma relação ao meu lado, a mergulhares em águas desconhecidas. Passa-me a mão no rosto, prepara-me a pele moreno e os cabelos castanhos, o sal é destruidor e corrói-me a graciosidade. 

Ao entrares nas minhas águas salgadas vais desejar mergulhar de olhos abertos. Bem abertos para assimilares todos os meus recantos, os meus segredos e as mentiras escondidas no fundo de um baú, presas ao passado, arrumadas até à minha morte. Arregala os olhos para me veres, para sentires a minha respiração, o dióxido de carbono libertado, imaterial, gasoso aos olhos humanos. Os meus olhos ternos alimentam os teus peixes, as tuas águas e qualquer outro ser vivo. Cigarros, cigarros são agarrados pelas tuas mãos e colocados nos teus dedos para assimilares todo o fumo. Não te deixes poluir, o teu reino e a tua vivacidade sagaz. Entra em mim, flutua, deixa os teus caracóis dissolverem-se pelos anos ao meu lado, com a minha alma a acompanhar-te todos os dias. Dias recheados de sol, dias inundados pelas águas da chuva. Chuva cada vez mais poluída pelos carros que circulam nesta cidade horrenda e violentamente bela. Foge para a praia, quero correr atrás de ti. Abraça-me, mergulha comigo. Os dias somos nós, cada partícula do nosso corpo, cada comportamento. Os dias morrem em nós e nós morremos com eles. 

17 fevereiro, 2014

Exílio


Leva-me ao teu exílio, às entranhas da tua caixa torácica. Num mundo escurecido por todas as construções que são elaboradas, todos os dias pela maioria dos seres humanos que se sentam nos carros e conduzem, a minha única salvação é o interior do teu corpo. Viajo a partir dos teus lábios, dos teus beijos, esses a percorrerem o meu pescoço e todo o meu corpo. Não deixo as minhas mãos escaparem dos teus lábios carnudos, os meus dedos envelhecidos pelo meu vício de roer as unhas e todas as peles. O Inverno clama pelo meu sangue, a cair dos meus dedos nos momentos em que apanho os autocarros, ao virar uma página do livro aterrador. Diz o meu nome quando passares a tua língua pelo meu queixo, antes de encontrares a minha. Não tenhas medo de levar-me ao teu exílio, ao lugar onde te refugias livremente de todas as loucuras desenhadas pelos desconhecidos. Construímos a nossa realidade com as nossas vivências e alguns desconhecidos têm o condão de nos alterar os planos, quando decidem cair ao pé das linhas do metro, dos comboios. 

No segundo dia, vimos a luz do nosso dia. Ao tocar nos teus ossos, sem o calor da luz no dia na tua caixa torácica, senti a vibração da tua voz. Permaneço nas tuas cordas vocais para te suavizar a voz, prejudicada pelo fumo dos cigarros. Tira toda a nicotina das unhas antes de me levares só para ti, continuo a fazer pedidos mesmo quando ninguém me pede a mim nem a ti. No terceiro dia, vimos o céu. Juntos.

05 janeiro, 2014

A salvação no diário dos desesperados e toda a minha loucura a pregar-me partidas


Salvação, leva-me para os teus braços. 

Existe sempre uma salvação ao virar da esquina para a maioria das pessoas, em épocas de horrores e crises existenciais. A salvação que me vai purificar e transportar-me para o reino dos céus é pura, de uma cor branca, com brilhos e um calor, daqueles ternos que se sentem no nascimento do sol. O sol começa na minha janela e termina novamente na minha janela. Mantém uma distância de segurança, por existir sempre o perigo de ataque da minha parte. Talvez tenha de receio da revolta humana durante a hora da verdade, em que todos vão descobrir a não existência da salvação ao virar da esquina. Nesse momento, num futuro demasiadamente próximo, vão explodir vidros para cortar os mais fracos de carne e proteger os mais fortes de espíritos, numa seleção natural da espiritualidade (ou será, como dizem alguns, da natureza?). Salva-me, preciso desesperadamente de ti para não andar nos ciclos viciosos da minha cabeça. São as tuas palavras que me trazem ao plano físico, no meio de todas as sobrenaturalidades dos meus sonhos. A realidade atinge-me quando estou deitado na tua cama e o toque me apaixona um pouco mais. Dissolve sorrisos por cima do meu corpo e da minha alma, é a experiência que quero colocar em prática.

No momento em que bebo um sumo de laranja, a partir da palhinha preta, sentado à minha janela pressinto a salvação em todas as janelas à minha volta como se a salvação fosse o desejo e cobiça alheia. Desejo pelo meu corpo e cobiça pela minha beleza e boa forma física, essa que só existe nos meus sonhos. Numa realidade em que não existe músculos no meu corpo, sento-me à varanda a tocar nas palavras dos meus livros e a desfrutar dos raios de Sol. À espera da minha salvação, ainda materializada nos meus livros e personificada nos meus desejos ambiciosos. Tudo não passa de uma loucura e a única sanidade são os teus lábios neste ciclo vicioso, em que regresso sempre aos teus braços e os meus cabelos continuam revoltados com a brisa marinha.

Salvação, leva-me para os teus braços. Ainda continuo à procura de Deus, em conversas antes de dormir mas não obtenho respostas às minhas ansiedades.

02 janeiro, 2014

2013


Poderia começar este ano com o novo número, ditador de uma mais um ano a acrescentar à minha idade oficial no momento em que setembro embater na minha carne, nos meus lábios e na minha respiração. Sentir um ano a passar é, só por si, merecedor de agradecimento e de celebrações. Ouço os barulhos e contagens para o novo ano chegar com compreensão, é uma meia noite diferentes de todas as outras ao longo do ano por ser tão especial e física aos olhos das pessoas. Começar este novo mês nos Aliados, no Porto, é uma bênção para o meu coração e para os meus olhos castanhos, cada vez mais abençoados pela clarividência. Ainda sinto o champanhe nos meus cabelos e todos a berrarem de alegria na principal praça do Porto, o amor e a amizade a berrarem no meio da rua.

Retiro a névoa dos meus olhos a cada ano que passa sobre a minha alma e construo cada vez mais um sorriso no meu rosto engelhado, desgastado pela poluição sonora das ruas e da maldade dos outros seres humanos. A maldade que o ano passado me fez ver em cada gesto alheio, cada palavra que ficou por dizer, contactos que ficaram na lista telefónica, esquecimentos que se ditaram fatais para o meu coração. Envelhecer, mesmo aos vinte e dois anos, é uma procura constante. Uma procura pelos sentidos da vida, pelos melhores caminhos a seguir. Trata-se de uma procura pela independência financeira que tarda a aparecer neste país. Juntamente com algumas lágrimas e vibrações de frustração, envelhecer na procura de um emprego e de satisfação profissional enjaula-se na pele e nas mãos, à medida que se percorre as ruas para entrar em edifícios e sentar em salas, onde estão seres humanos prontos a examinar-nos, depois de mais de 1500 candidatos. Demasiados pássaros, a abrirem asas e cantarem, para recolherem o maior número possível de sementes e milho. O vento sopra cada vez mais e os pássaros sentem-se a envelhecer, a ver passar os anos. Os planos para voarem para terras distantes, à procura de uma felicidade eterna, personifica-se cada vez mais, especialmente, em alguns dos meus amigos. Amigos, meus queridos, aos quais quero cuidar das asas mas não consigo. Quero cuidar das vozes brilhantes, prendê-las na comunidade, e não sou nada para o fazer. Sentir o novo ano no corpo equivale a ter esperança nas mãos e usá-la, esperança para ficar, viver, dançar e espantar os maus espíritos.

O ano passado trouxe a mágoa profunda de falhar no campo do amor, do companheirismo, mas fez-me encontrar-te, apaixonar-me e saber que sou merecedor de um bom final. Sei bem que aos 22, ninguém dita um final recheado de boas energias. Estou longe, muito longe de qualquer final da minha vida mas encontro-me numa linha contínua de prazer e amor neste preciso momento. Com os teus olhos castanhos e cabelo encaracolado soube, verdadeiramente, o significado de companheirismo nas minhas acções. Somos, neste momento, uma combinação de um amor claro e brilhante no meio das nossas discussões. Quando dançámos em julho, estava longe de imaginar que desejaria tanto a tua presença. Não há lugar unicamente para queixas, quero entrar neste ano a celebrar afincadamente a entrada do verdadeiro amor nos tecidos da minha alma. É neste momento em que todos os buracos, tecidos pelas traças na minha personalidade, são enterrados. É essa a sensação que tenho no meu sorriso. 

Estou cheio de amor na minha vida e agradeço aos meus pais, a ti, aos meus verdadeiros amigos que ao fim de tanto anos ainda se mantém ao meu lado e aos novos que surgem e constroem lugar no meu coração. Que venha 2014, que me consuma o corpo e me envelheça. Todo um ano é recheado de imagens. Que venham mais, só para mim.


15 dezembro, 2013

As palavras que demonstram a minha insanidade em relação ao meu amor que tenho por ti, pela tua alma



Deixa-me beber do teu sangue para chegar à eternidade e ao reino divino, colocado, para alguns, ao simples gole de álcool ou no cigarro em cima da mesa. Nestes tempos, com estas terras desbravadas, não sabes como controlar as minhas explosões de loucura, renascidas das minhas experiências. Resume-me as semanas, os dias, os meses, os anos para o meu olhar voltar a brilhar no minuto em que conversamos.

Hoje somos a simplicidade dos nossos beijos e dos nossos abraços. Não sinto necessidade de embrulhar, corromper as minhas palavras com magia das metáforas, personificações ou adjetivações por sentires as minhas palavras no teu peito. Somos a simplicidade dos nossos corpos, os músculos belos para os meus olhos castanhos. Mistura-te na minha alma, és o herdeiro das minhas entranhas.

Chegámos ao nosso reino. Construiremos agora a nossa casa, somos os gladiadores a combater a monotonia e a espalhar a boa nova por todos os descrentes. Chegámos a nossa casa e não resistimos às nossas almas, consumidas por investidas corporais. Chamam-lhe de sexo. Hoje somos a simplicidade dos nossos beijos, dos nossos abraços, dos nossos corpos e das almas. Essas que chegam aos céus todos os dias. Ouço a tua voz ao telefone. Deixa-me chorar, com a paixão a deixar marcas no meu corpo, instrumento para esta vida. Abre-me as portas do nosso reino.

06 dezembro, 2013

Consome-me de uma vez


Consome-me. Consome-me com a tua boca, com os teus lábios, os teus olhos castanhos e a beleza que emoldura o teu rosto e o teu corpo. Consome-me antes de me cobrires com a tua alma, os tecidos que amaciam os teus órgãos e dão um sentido a toda a nossa existência como se houvesse qualquer uma. Os seres humanos necessitam de uma lógica, um caminho para aprofundarem as simples ações: comer, respirar, tomar banho, estudar, amar. Deixa-me desmaiar no teu corpo e respirar os teus cabelos antes de fechar os meus olhos cansados. Nós, adolescentes ou eternos jovens, abraçamos a paixão e o amor para experimentar a intensidade e a plenitude. Falta-me a inocência ao teu lado. A tua presença deu-me a conhecer a pose para a eternidade, de frente para as câmaras a relembrar-me da viagem das nossas almas ao longo das gerações. Quebramos agora o que chamam de natural só por nos apaixonarmos, pergunto-me o que quebrámos anteriormente. Deixa-me agarrar na tua boca e consumir-te, alimentar os recantos do meu corpo e do meu coração para viver mais uma vez no meu silêncio. O meu barulho sempre me incomodou até chegares.

Consome-me com a tua boca. Consome-me de uma vez apenas e sem pressa. Conhece-me até à nossa eternidade, nesta leve brisa.

03 dezembro, 2013

Deixa-me mergulhar nas tuas águas (palavras) quentes

Escrevo mais uma vez para ti. 

Nesta vida plena, nos meus leves vinte e dois anos, em que qualquer um acha um peso violento para o meu rosto de rapaz. Esse rapaz que ainda assenta nos meus pulmões para impedir os meus vícios. Nesta vida plena escrevo, mais uma vez para ti, a mudar as palavras, os verbos e os adjetivos de lugar para mostrar-te de quantas maneiras posso mostrar o meu amor por ti. O carinho escorre por todos os meus comportamentos e os meu gestos no teu rosto delicado, arranjado para me olhares.

Já foi um rosto destroçado, despedaçado como uma porcelana no chão sujo. Consigo ver-te esse lado, o que não conversas comigo por já estar arrumado pacificamente no passado. Escrevo mais uma vez para ti nas minhas pétalas azuis, estas que me protegem do frio numa casa tão envelhecida. Sabias do pequeno buraco que fiz numa das paredes da sala? Estava simplesmente encostado e o meu cotovelo recolheu reduzidos centímetro do material que a minha casa é construída.

Escrevo mais uma vez para ti.


Deixa-me mergulhar nas tuas águas quentes, na cor límpida da doçura do teu oceano. Lágrimas salgadas, corpos podres constroem um oceano atlântico gélido e completamente salgado. Não é à toa que tantas almas chorem por arrependimentos, ausências de salvações e palavras de uma vida passada. É necessário um ciclo natural da natureza. Sabias que nunca consegui compreender esta minha associação da natureza com o trabalho dos espíritos que ficam presos na Terra? Assusta-me a minha visão da maioria dos acontecimentos, por sentir que a loucura me pode matar um dia destes e é a ti que vou virar o meu desespero. Quando me falam em amor, para além do amor, do sexo, do carinho, do mimo que troco contigo, lembro-me também da loucura corporal que pode ser adquirida com o passar do tempo. É uma loucura, eu sei mas penso em todas as possibilidades.
Já que é a primeira vez que alguém me vê como uma casa definitiva, para viver confortavelmente a vida toda. Não brinques comigo, nunca brincaste, nem nunca vais brincar. Construir a tua casa na minha alma é a maior responsabilidade que vais ter na tua vida e o teu coração está pronto para mim, para os meus devaneios.
Escrevo mais uma vez para ti. A loucura não me ameaça, meu amor, e a minha casa gélida ameaça matar-me com um calor súbito. A vitória está do nosso lado por sermos uma das poucas pessoas que ousa celebrar a vida nestes tempos tão negros.

27 novembro, 2013

Mas tenho receio de fechar os olhos e ter a pele enrugada (...)

É extremamente cedo para decidir o ritmo e o batimento do meu coração. Esclarecendo qualquer um que pergunta "mas não é precisamente a mesma coisa", não se trata, efetivamente, da mesma coisa. Ritmo e batimento. Batimento e ritmo. Batimento e ritmo do meu coração, nunca há duas palavras iguais nem nunca as escrevemos da mesma forma. O ressoar da pulsação no meu coração e a velocidade com que o faz. Tenho juventude nas minhas mãos, nos meus cabelos, em todo o meu corpo e sinto a minha cabeça a decidir a tua presença como fundamental na minha existência, já efetuada a permanência no meu coração. Todas as ligações com os fios e coração foram estabelecidas ao longo das nossas discussões no primeiro semestre deste ano. Somos mestres na arte do "quanto mais me bates mais gosto de ti" sem os exageros da violência agarrados a esta velha frase. Há certeza na minha alma para saber que és tu. Tu, tu e tu, suspira-me o vento gelado de novembro nos meus ouvidos e nos meus cabelos a precisarem de serem colocados debaixo de água. Não tenho escolha nem quero ter, consome-me a juventude com paixão.


Mas tenho receio de fechar os olhos e ter a pele enrugada e ausência de força nos meus músculos.


Leve criança sentada no cadeirão, anseio pela tua chegada, de comboio desde o norte do país até à capital. O ritmo e o batimento do meu coração dependem do estado do teu rosto, aniquilado por um trabalho um tanto ou quanto ingrato depois de três anos enfiado numa licenciatura nas matemáticas e a repuxar matérias relacionadas com os mercados e mais números que não compreendo na minha cabeça tão elaborada para os textos e arte. Depende dos teus olhos, brilhantes pela minha alma e por todas as minhas vibrações. Sentado no cadeirão, anseio e desejo o momento em que colocas a chave na ranhura e enches os meus lábios, sem perguntar pelo meu dia. Uma naturalidade que despejas depois da libertação do desejo. Todas as discussões começadas quase no início deste ano para se converterem no conforto dos meus braços, dos nossos músculos a acariciarem-se mutuamente sem mecânica na equação. A nossa equação tão simples e sem regras complexas neste momento. Celebramos todos os dias as nossas existências. O meu corpo a procurar uma fonte de rendimento num país tão miserável, sem condições de mandar cantar 3 ou 4 cegos, e tu meu amor, numa fonte recheada de água morna. Celebramos, beijamos, abraçamos a nossa existência numa aura de confiança, paixão e futuro misturados nos nossos pés. Assentes no chão de madeira da nossa casa.

Falta-nos uma lareira e o que nos salva são os cobertores e os aquecedores. Electricidade a circular nas nossas paredes. Amor a viajar nas nossas veias. Colidimos nas horas de prazer, enrolados nos lençóis durante os dias frios.
- Tenho frio, liga o aquecedor! - E ainda não tinhas sentido o toque dos meus lábios no teu peito e em toda a tua pele das pernas. É impossível escolher ou definir o ritmo e batimento do meu coração mas tenho em mim que és tu a minha escolha, Onde permanecem os nossos olhos? Em ti. Em mim. No teu cabelo encaracolado, doce para os meus dedos mexerem. Tinha uma ausência em escrever e hoje fizeste-me quebrar o jejum da boa forma e tradicional em escrever. Lápis, papel e tu. Junto a mim.

E permaneço no cadeirão, a ouvir a tua chave entrar na nossa porta.

29 outubro, 2013

Estou num lugar cheio de luz



Já não me alimento das tuas lágrimas e do teu vómito, declarado por ti por uma mera troca de mensagens por uma rede social depois do nosso fim. Decidi não realizar mais a mistura da clareza de uma água límpida e de uma substância mastigada e ácida de um órgão no meu corpo, dado a incompatibilidade que a minha alma tem com os sabores agridoces. Pode ser uma contradição dizer-te que não suporto o equilíbrio de um tom amargo e azedo nas minhas veias, sinto-me saturado disso por ter um sangue vermelho e puro nas minhas veias e o veneno que a pouca experiência de 22 anos de existência me ofereceram. Qualquer dia vou afogar-me com a minha toxicidade, ao deixar cair a água do chuveiro sob o meu corpo e sentir a acidez a subir no meu corpo por todas as maldades idealizadas e os pedidos por perdão sem intenção e força. Quando esse momento chegar, da minha morte por afogamento em terra, vou agarrar a minha garganta pelo simples gesto de dramatismo. Todo o ser humano imagina uma morte serena, com o corpo a cair aos pedaços e sem capacidades não é verdade? Onde conjugar o Alzheimer caso atinga o nosso cérebro e as nossas memórias? Imaginar uma morte perto dos 30 com um ataque de coração ou um acidente de carro? Mesmo estas duas últimas opções para uma morte precoce são dramáticas. Somos uma desgraça enquanto seres, assino em qualquer documento que contenha este facto. Berro para os anjos que descansam no Olimpo, de forma a ouvirem os meus pensamentos e as minhas atitudes.

Mas para atingir, neste momento, a limpeza da minha alma decidi não alimentar-me mais das tuas lágrimas em mistura com o vómito que libertaste ao colocar um ponto final da tua existência. Resta-me por agora um baixar de cabeça, para quem partilhou tanto da minha intimidade e do amor. Devo também dizer que não foram poucas as vezes em que senti pena da tua esquisitice – quando se trata apenas de estupidez e mania por querer a diferença estampada nos gostos e atitudes – e amar plenamente um ser humano é não sentir pena em grande parte dos acontecimentos. Mesmo não me alimentando da podridão que me ofereceste, seu idiota, ainda sinto pena de ti pela cobardia que me mostras. Os teus olhos pequenos não têm a coragem suficiente para olhar para o meu corpo, para a minha magreza extrema que um dia afirmaste amar. Gostava de dizer que te ouviria, caso decidisses falar comigo algum dia, mas isso é mentira. De podridão e escuridão num ser humano prefiro afastar-me. Acidentalmente deste um passo para entrar na minha vida e, assim, para me livrar de um outro lixo que influenciava o meu coração, foste uma bola de neve que acabou a tempo. Apresento-me como um ser renovado, capaz de amar profundamente e com ensinamentos na carteira. As minhas paixões continuam no meu coração, nos recantos dos tecidos da minha alma.


O quão refrescante é dizer que já há algum tempo que não me alimento do teu rasto agridoce, recheado de escuridão. A dor acabou há muito tempo e nunca pensei que era um desastre. Chegará o dia em que isso acontece. Sou um pleno desastre em todas as minhas ações. Entrego-me agora a um dos melhores seres humanos e sei que é o meu deus do Olímpio, com capacidade de me levar para o paraíso e aí descansar em paz. Estou num lugar cheio de luz.

20 outubro, 2013

Dentro dos meus olhos castanhos

Já não escrevo há tanto tempo e, por vezes, tenho a certeza de que perdi a prática e as palavras perderam o sentido no meio dos meus pensamentos. Ou escorrem pelo cano, nas horas em que coloco o chuveiro na minha cabeça, ou fogem da miséria dos meus olhos castanhos ao brilharem por estares à minha frente. Sobre ti escrevo em primeira pessoa, sem medos de entregar as minhas palavras, as minhas mãos, as minhas unhas roídas, os meus pés recheados de cortes dos sapatos apertados. O amor é entregar a perfeição e a imperfeição do ser humano, canto-te aos ouvidos por não saber o que é berrar por amar. Já não escrevo há algumas semanas e sentia essa ausência, apesar de estares a preencher o meu coração. Posso cantar pelas quatro paredes da minha casa e mesmo assim só te ias rir. Por isso ou pela minha invenção esta noite. Não foste tu que sorriste para mim quando decidi colocar a minha cadeira ao meu lado, só para apoiar a minha mão esquerda? Nos limites do nosso existe um infinito, deixa-me explicar-te isto para entenderes melhor o que quero dizer, tenho a impressão de que não compreendes. Existe um infinito quando penso no nosso amor: quando coloco a minha dedicação a ti, não consigo pensar em números, quantidades. Medições quando a matéria diz respeito a componentes do coração? Oh, nunca amar foi tão perfeito e brilhante aos meus olhos.

Não escrevo há tanto tempo, só pela simples razão de querer aprofundar um pouco mais os meus sentimentos por ti. Há uma entrega idealizada e em tons cor-de-rosa nos primeiros meses, um lidar com a rotina e o amor certo quando o tempo escorre pelas mãos de duas pessoas e, no final, a promessa de permanecerem juntos por toda a eternidade. Talvez só tenha experimentado a primeira entrega antes de me entregar à tua alma. Pergunto-me todos os dias como não consegui perceber a tua beleza quando te vi a primeira vez. Ou talvez tenha sentido, por o meu coração não se ter calado desde o primeiro dia do ano. Os meus órgãos não pararam até as palavras desenharem os nossos corpos, numa primeira instância. O amor é entregar a perfeição com um toque de imperfeição para dar brilho aos lábios. Berro para os meus sentidos: Onde estiveste toda a minha vida? Vivi tantos anos sem te ter aqui, nos meus braços e dentro dos meus olhos castanhos. As palavras nunca estiveram perdidas dentro da minha existência, cada vez mais tenho a certeza, nas minhas entranhas, de estar a destruir as minhas fraquezas e os meus limites e catalisar, dentro do meu coração, uma nova visão no ser humano.



O meu coração renasceu dentro dos teus pulmões, recheados de fumo pelos cigarros que injetas todos os dias ao acordares e adormeceres ao meu lado. Ao meu lado, ao meu lado, ao meu lado.

08 agosto, 2013

O amor consome-me e a loucura ameaça acompanhar-me


Perdoa-me Satanás por ainda não ter caído nas tuas garras, infectadas pela solidão de todas as almas e as perversidades das mentes deturpadas e maldosas.
Acolhe-me, Deus, nos teus braços recheados de compaixão e sensações de paz, agora que o amor chegou novamente à minha casa. Os meus aposentos, os meus pulmões, carregam pela última vez o sentimento amor. É a última vez se tiver de ser. Estive para viver para sempre nas sombras e na escuridão, sabes que nunca o fiz por em todos os momentos, os segundos em que tomava a decisão e ouvia a tua voz. Perdoa-me Satanás por não ter escolhido o teu caminho, um ser humano precisa sempre de ter dois percursos mesmo nos sonhos. A mente liberta-me e lança-me sempre para o caminho mais negro e recheado de pedras, um incentivo para circular na minha vida real.
Tenho-o. Desejo-o. Adoro-o, mais a caminhar para outro sentimento se é que me entendes. Por teres colocado um ser humano, de cabelos encaracolados, na minha vida e a admirar-me a alma ao invés do corpo numa primeira instância. Deu-me a mão mal os olhos castanhos atravessaram os meus quando só desejava abraçar o meu corpo e peito. Nem te conto esses minutos, com uma felicidade a incendiar as minhas veias, desejei assentar as minhas mãos na cintura magra. Mas nenhum corpo ultrapassa a minha magreza extrema, por incrível que pareça, surpreendo-me sempre por os corpos alheios serem sempre melhores do que os meus e esta constatação não é elaborada em baixa auto-estima.

Deste-me a conhecer demasiadas vezes a sensação de abandono, proporcionada por outros seres. Não merecem ser chamados de humanos por tal acto, capazes de rebolarem no sangue proveniente dos meus olhos. Gritei, rebolei no chão com as mãos a esmurrarem a pedra do chão na minha casa, em vão, unicamente para todos os meus fantasmas começarem a sorrir e a desejarem a minha união com todo o grupo em qualquer casa abandonada, o típico cliché associada ao espiritismo que tanto adoram. Por escolher um amor demasiado jovem sofri as consequências, mais um desvio para sagrar o amor verdadeiro e puro, sem consumação desmedida e egoísta. Satanás diz-me, em todas as conversas, que o amor é um acto egoísta, inconsequente, recheado de paixão. Uma paixão capaz de destruir órgãos, o coração inclusive. Nunca me sussurrou sobre o sentimento, sobre a paz de espírito oferecida por um sentimento nascido de todas as entranhas e de toda a certeza. Tenho-o, não o quero perder. Desejo-o e não consigo controlar o meu sangue. Adoro-o num amor inacreditável. E ainda não consigo acreditar e prever onde o nosso amor vai levar-me, a mim e a ti.

Perdoa-me Satanás por não ver-te mais como o meu companheiro.
Acolhe-me Deus. Ele está na minha vida e estou tremendamente apaixonado.

18 julho, 2013

Purgatório


O amor equivale a um purgatório. Trata-se de um espaço de espera, não se contam as horas e os minutos por ser proibido a utilização dos relógios. Espera-se por alguma coisa que há-de vir, mesmo quando existe uma relação fixa em confiança, preocupação, amor, carinho e uma pitada de respeito. Amar é ser egoísta, não há outra forma de confiança. Existe uma preocupação com o outro ser, amado desde as profundezas. Tal preocupação exige na maioria das vezes, no subconsciente, uma reciprocidade. O ser humano não gasta o tempo com outro sem esperar receber nada em troca, nem nas palavras cheias de amor soltadas ao vento. Esse vento tem de passar pelo destinatário, a quem dirigimos essas palavras, a brisa vai tocar nas roupas a quem se dirige. As músicas escritas por muitos cantores são ouvidas pelo ser em que se inspiraram, a quilómetros de distância quem sabe, os textos redigidos por muitos escritores consagrados chegam a quem têm de chegar: à divina inspiração, seja ela de que tipo for, uma objeto, um animal, um lugar, uma pessoa. A preocupação colocada nessas palavras e nesses textos - existe sempre uma preocupação, nem que seja ela maldita, armadilhada - tem sempre o objetivo de chegar a quem foi escrita. O amor equivale ao purgatório, ao tempo de espera para recebermos uma mensagem de volta, um beijo, dedos do cabelo para o afastar da nossa cara, para recebermos palavras de preocupação. Morremos sem a resposta, precisa-se dela em minutos, em dias, em meses, em anos num caso mais extremo. Nasce uma comichão em todos os corações quando isso não acontece, cultivam-se histórias trágicas e alimentam-se finais desoladores por não existir uma resposta de volta. Desgraçados são os amores não correspondidos, que nunca vão receber a resposta. Nem uma chamada, nem uma mensagem ou uma carta. Quem sabe, um e-mail já que os tempos apontam para uma evolução. Mas não é nesse tempo de espera que se encontra uma parte da beleza? A perfeição não se encontra no tempo gasto, nas palavras soltas e colocadas numa carta ou em qualquer aparelho? Existe um ciberespaço, existe um espaço físico em que os conteúdos circulam. Falta avisar as gaivotas para continuarem a levar novos seres para todos os lugares. O amor é um purgatório cheio de ideias românticas, mesmo as gaivotas entraram em greve como quase todo o meu país se encontra: em uma greve económica, em que muitas pessoas morrem à fome, e uma greve de valores em que a esperança na cultura e nos valores morre a cada dia que passa. Não quero contar as horas, desejo entrar no purgatório. 

Oh, resta-me esperar por algo. Não vivo sem estar à espera de alguma coisa, guardo esse sentimento nos meus olhos, nos meus lábios, nos meus desejos.