18 agosto, 2008

a tua escrava.

não, nunca saberás destas minhas nuances de escárnio e carência.
jamais passará por esse teu conjunto bem articulado de aurículas e ventrículos que por dentrás dos meus seios que te congelam o sexo se encontra um coração.
um coração igual ao de todas as outras.
sei que não o sabes.
sei que tu nem sabes se queres saber que quando me atiras à parede eu tenho uma coluna vertebral a defender.
que tenho glândulas lacrimais que tu fazes questão em bloquear para não mais me sentires humana.
em tempo algum te confessarei que o sangue me corre nas veias, quente, como o de qualquer mamífero e que, assim sendo, to poderia dar a beber, aquecendo-te a alma e o espírito.
levas-me a crer que sou uma escrava da tua compaixão e eu levo-te a crer que eu creio sê-lo.

2 comentários:

Inez disse...

"levas-me a crer que sou uma escrava da tua compaixão e eu levo-te a crer que eu creio sê-lo"
Gostei :)

David disse...

está tão fantástico companheira. amo, amo +.+