14 novembro, 2014


(da nuvem de lixo, da cultura popular e com capacidade de chegar a milhões de pessoas, esse lixo que perturba o meu coração e mexe com os meus órgãos pela vulgaridade. Uma vulgaridade que tende a comer-me o requinte, nesta sociedade cada vez mais negra)

De tempos a tempos necessito de estar algum tempo sem escrever, sem colocar nada cá para fora. São demasiadas horas, felizmente, a escrever dentro de um escritório. A escrever para dois projetos da consultora para a qual trabalho nestes dias, lugar onde passo a maioria do meu tempo como qualquer português ou portuguesa com sorte em ter um emprego. Vejamos, chamam sortudo a quem sente o local de trabalho como um lugar seguro e assegurado, pelo menos por uns bons anos ou meses. Ser sortudo quando devia ser um direito de cada ser humano que caminha nesta sociedade? E é nestes tempos de pausa em que os meus olhos rodam em círculos, como uma colher a mexer o café. A remexer o açúcar que se mistura com o café negro, quase queimado pelas mãos descuidadas da empregada. Uma empregada que me olha de cima a baixo, a avaliar a minha confiança pela aparência, pela barba que deixei por fazer e na roupa mal combinada. Está um dia chuvoso lá fora, em Coimbra, mais propriamente nos arredores onde os meus pais vivem.

Permaneço deste lado, à espera que uma vaga de transformação liquide os vestígios de infantilidade que podem restar em mim. A colher continua a mexer o café neste dia em que a trovoada demonstra a força de uma natureza incompreensível aos nossos olhos.

2 comentários:

Paula disse...

as saudades que tinha de te ler por estes lados!

abraço (:

David Pimenta disse...

Olá, Paula!

Quase um mês depois é que te respondo. Infelizmente vou, com certeza, criar um outro espaço para escrever porque já não me identifico com este: uma das consequências do crescimento.

Beijinho,
David